Até abandone quem faz pouco caso de seu amor, mas nunca o amor...
Quando o influenciador Felca, tão comentado atualmente pelo excelente vídeo sobre adultização, afirma em outro vídeo que “existem pessoas que simplesmente não merecem nosso amor”, ele está completamente certo. Não é necessário escrever um livro, uma tese ou dissertação para provar isso. Já está na Bíblia, em Mateus 7:6: “Não deis pérolas aos porcos”. É a mesma ideia. Por isso, escrevo este simples artigo para compartilhar essa reflexão, já que sou responsável por um Clube de Amor.
Vivemos em um mundo em que grande parte das pessoas pensa apenas em si mesma. Falta empatia, generosidade e gentileza, como já escrevi em outro artigo. Falta também vontade de fazer algo por alguém sem esperar retorno. É minoria a parcela que se move em favor dos outros. Poucos deixam seus comodismos para servir desconhecidos. Para piorar, muitos desses, quando percebem que são amados, tornam-se ainda mais folgados, interesseiros e aproveitadores, usando o amor recebido para obter vantagens e, muitas vezes, menosprezando quem lhes oferece esse amor, como se fosse obrigação ou como se não tivesse valor algum. Chegam, inclusive, a considerar o “dono desse amor” um ingênuo fácil de explorar.
Não é novidade que isso aconteça, em qualquer parte do mundo. A questão é: como lidar com esse fato? Continuar dando amor apesar de tudo? Fingir que não se vê o comportamento da pessoa? Forçar-se a desamar? Simplesmente chorar? É frustrante não ser amado. Mas é mais frustrante ainda entregar amor a quem não está nem aí para ele, ri desse sentimento, é indiferente a ele, esnoba-o como se a pessoa amada “não fizesse mais que obrigação em amá-la” ou usa tal amor como ferramenta de manipulação para alimentar seu ego.
O que fazer, então? Ao meu ver, quando se tem certeza de que o nosso amor está sendo direcionado a alguém assim, a melhor escolha é tirar o foco dessa pessoa e expandir o amor a outros que não o desprezarão. Redirecioná-lo imediatamente. Desamar, quando o amor é verdadeiro, é quase impossível. Mas fingir cegueira ou continuar amando como se nada estivesse acontecendo apenas fortalece a exploração, como se o outro tivesse encontrado um “idiota para lhe mimar”, acreditando ser o mais esperto dos malandros.
Ao redirecionar esse amor — para outras pessoas, para a humanidade, para causas sociais, trabalhos voluntários ou até mesmo para novos relacionamentos —, esse sentimento deixa de ser desperdiçado e se transforma em algo como um “dinheiro bem aplicado”: um investimento de alto rendimento, em que a colheita se mostra muito mais eficiente e satisfatória.
Alguns dirão: “Ora, jamais devemos comparar amor a dinheiro ou investimento”. Mas digo que justamente por ser algo tão precioso — talvez mais valioso que todo o ouro do mundo — o amor precisa ser bem direcionado. Quando não fazemos isso, acabamos tratando-o como um fardo, um sofrimento, um martírio. Mas o amor não é nada disso. O problema nunca é o amor em si, mas sim o rumo que damos a ele: a forma como o entregamos e, sobretudo, quem o recebe.
O amor verdadeiro, consciente e bem conduzido é apenas luz. Ele não causa feridas nem desesperos. Se causa, é porque foi mal direcionado — como em casamentos feitos com pessoas erradas, em que depois se diz que “o casamento é o problema”. Da mesma forma, o amor nunca é o problema; o problema é a forma como escolhemos vivê-lo.
Por isso, não manche sua capacidade de amar insistindo em quem não o merece. Não desperdice esse dom, pois ele é tão sagrado quanto as águas mais cristalinas de um rio. E qualquer sujeira lançada nesse rio pode poluí-lo. Depois disso, os que se aproximam só dirão: “Que água mais suja, nossa! Muito feia, deixa eu ir embora”. E isso está longe de ser a melhor solução, porque abandonar o amor jamais será a melhor escolha.
Até abandone quem faz pouco caso do seu amor, mas nunca o amor.
por Le Rangel