Le Rangel: Escritor, professor, criador do Clube de Amor. Viajante de alma e coração

Na entrevista, o Criador do Clube, Le Rangel, também educador e editor, fala um pouco sobre como surgiu a ideia do Clube e a importância do amor e do conhecimento que devemos ter sobre ele para não confundi-lo com as coisas que não são amor...

Le Rangel

O escritor e criador do clube ama as viagens, as pessoas e a vida

Por que você decidiu criar o Clube de Amor e qual lacuna sentiu que precisava ser preenchida no mundo?

No mundo existem até clubes de tiro, de caça, de guerra… Como é possível não existirem “Clubes de Amor”? É uma loucura pensar que a humanidade se reúne — presencialmente ou online — para tantas atividades em comum, mas não para celebrar e praticar o amor. A lacuna na distribuição desse sentimento é imensa. Há uma frase que diz: “Falta amor, mais amor, por favor”. É a mais pura verdade. Falta amor e falta coragem para amar mais, para se entregar mais, para criar espaços onde possamos espalhar amor e nos tornarmos amor.
Assim como existem clubes saudáveis, como clubes de inglês para praticar o idioma, ou clubes de leitura para estimular a literatura, o amor também precisa do seu próprio clube para ser praticado constantemente. Saber que ele existe e não vivê-lo é desperdiçar vida, tempo e um tesouro imenso que está disponível a todos — basta querer acessá-lo.
E não necessariamente dar amor apenas em forma de romance para apenas algumas poucas pessoas, mas para a coletividade, para a humanidade em geral, fazendo o bem sem olhar a quem e a cada dia.

Em sua experiência, quais são os maiores equívocos que as pessoas têm sobre o amor?

Muitas pessoas confundem amor com aceitação de tudo, possessividade, ciúmes, controle, paixão, sexo… com tantas coisas, menos com a sua verdadeira essência. Não é à toa que vemos tanta violência praticada por quem depois afirma que “foi por amor”. Feminicídios, inclusive, não são apenas equívocos — são absurdos. Onde há amor verdadeiro, não há crimes, nem violência de qualquer tipo. É simples assim.
Também ocorre de pessoas se submeterem a relações tóxicas e horríveis acreditando que devem suportar isso por amor. O amor não deve suportar isso para ser amor.  É um outro grande engano. Muitas vezes podemos até seguir amando à certas pessoas, mas à distância, pois de perto elas podem até contaminar o verdadeiro sentido do amor, fazendo-nos acreditar que amar é  aceitar humilhações, agressões e qualquer coisa. Amor está longe disso.  

Muitas pessoas dizem que “amar demais machuca”. Você já sentiu isso? Como transformou essa dor em força?

Amar demais só machuca quando existe a expectativa de uma resposta, quando esperamos que a outra pessoa retribua na mesma medida ou se comporte exatamente como imaginamos. Isso, como já mencionei, é controle e possessividade. Quando você simplesmente oferece amor, distribuindo-o como quem doa pães numa comunidade carente, sem esperar nada em troca, não há como se ferir. As dores surgem de egos machucados, da inocência, do egoísmo, da falta de experiência com o amor verdadeiro e, acima de tudo, das expectativas. Quando distribuímos amor naturalmente no mundo, especialmente através de boas ações e da prática da caridade — não necessariamente por uma obrigação religiosa ou pela busca de um lugar no Céu —, fluímos com ele. Nesse fluxo, não há sofrimento nem machucados.

O Clube de Amor nasceu de um chamado ou de uma ferida que pediu cura?

O Clube nasceu da minha capacidade — exagerada, talvez — de amar sem cessar. Aos cinco anos, já escrevia cartas de amor. Aos doze ou treze, já vivia amores avassaladores. Nunca tive medo de me entregar. Com o tempo, percebi que era pouco dar amor apenas a uma, duas, cinco ou dez pessoas, como muitos se acostumam. Quando concentramos demais esse sentimento em poucos, eles podem até se sentir sufocados, porque nem sempre sabem lidar com tanto afeto. Digo que amar a poucos é quase como ganharmos "1 milhão de reais por mês" e gastarmos somente "mil reais", economizando demais e de forma até desnecessária, porque ninguém precisa guardar tanto dinheiro na vida todos os meses. Para quê? Para quem? Amor, mais ainda, não pode ser tão economizado. Descobri que é melhor espalhar amor por todos os lados do que guardá-lo para poucos. O Clube de Amor nasceu justamente dessa ideia: levar amor ao maior número de pessoas possível e inspirar cada um a se tornar uma espécie de “amor ambulante”, desperto e consciente, caminhando pelo mundo como antídoto às guerras e às misérias que ainda existem no nosso belo planeta.

Le, se o amor pudesse falar, o que você acha que ele diria sobre você?

Acredito que o amor ficaria feliz por ver alguém que o abraça e se entrega a ele de corpo e alma. Alguém que pensa no amor não somente no sentido romântico, mas no sentido coletivo, humanitário, global e até universal.
Tenho certeza que o amor falaria bem de mim por acreditar tanto nele e até me recomendaria, como se recomenda um bom hotel ou um carro confiável a um amigo. A menos que fosse ingrato, claro, não teria motivo para falar mal de mim — mas creio que ele não seja. A essência real do amor não é ingrata. E, mesmo que não gostasse de mim, eu não me importaria. Meu amor pelo amor é incondicional...

O que te inspira a continuar acreditando no amor mesmo quando tudo parece provar o contrário?

O amor nos fortalece em todos os sentidos. É só por meio dele — e com ele — que conseguimos, de fato, descobrir nosso verdadeiro sentido na vida, nossa missão, nossa motivação para acordar a cada novo dia. Enquanto não sabemos o que amamos, vivemos no piloto automático: trabalhando apenas por dinheiro, agindo por obrigação, tentando agradar aos pais, professores, companheiros — enfim, fazendo qualquer coisa só para ocupar o tempo, sem prazer. O amor é superior ao prazer e essencial não apenas para ser compartilhado com outras pessoas, mas também para criar uma vida encantadora e extraordinária. E não falo isso porque “acho”, mas porque vivo — é uma certeza. Ele transforma a existência. É como se, ao encontrá-lo de verdade, cada pessoa acendesse um sol dentro de si. Nada é mais poderoso do que o amor em sua plenitude, vivido por quem realmente o conhece. Todos deveriam abrir suas portas a ele sem nada esperar. Deixá-lo entrar como o ar que respiramos e não podemos viver sem. E, a partir daí, despertar as ações do coração para buscarmos um mundo melhor.